João Mário em entrevista exclusiva à ELEVEN SPORTS

By 11/04/2020ELEVEN
Entrevista a João Mário

João Mário, internacional português e campeão da Europa, participou no programa “Planeta Eleven”, através do Facebook da ELEVEN SPORTS. Durante quase uma hora de conversa, o jogador que está emprestado pelo Inter de Milão ao Lokomotiv fez várias revelações sobre a sua vida profissional e pessoal.

 

Com a Superliga russa parada desde 15 de março devido à pandemia do Coronavírus, o médio encontra-se em Moscovo, já que “voltar a Portugal teria sido um risco, por estar a expor a minha família e a da Marta, a minha companheira”. João Mário, que apelou a que as pessoas “fiquem em casa e em segurança”, partilhou como é a sua rotina, agora que não pode treinar com os companheiros: “É um momento difícil para todos, mas tento estar ativo.

 

Faço trabalho físico para manter a forma, nomeadamente cardio e algum trabalho de prevenção que o clube nos indicou. Temos de ser profissionais. Tento brincar um pouco com a bola em casa, mas claro que não se compara a um treino com os companheiros, com bola e em equipa. Espero que os treinos de campo voltem rapidamente, mas por enquanto é assim que tem de ser”, referiu o jogador do Lokomotiv.

 

Além de manter a forma, João Mário vai passando o tempo fazendo “maratonas de séries”. Fã de Prison Break, o internacional português indica que “hoje em dia há imensas séries para ver. Tenho visto “This is Us”, uma série muito familiar, ou “Black List”, João Mário, de 27 anos, recordou os seus primeiros anos no futebol, ainda no FC Porto e na companhia do irmão Wilson Eduardo, atualmente ao serviço do Sporting de Braga: “Na formação do FC Porto, o meu irmão deve ter feito uns 200 golos. Nós adorámos essa altura da nossa infância. Saíamos muito cedo para a escola, íamos para o treino juntos…tenho grandes memórias dessa altura”, refere João Mário, que assume que “Zidane, pela classe que tinha, me inspirou bastante”.

 

Após chegar à formação do Sporting, e posteriormente à equipa principal dos “leões”, o médio conseguiu atingir a seleção nacional, pela qual soma 45 internacionalizações, e não esconde a importância que dá a representar a equipa das quinas: “Qualquer jogo com a seleção é muito especial. Agora que estou no estrangeiro, longe de casa, sinto cada vez mais a seleção”. Titular em seis dos sete jogos que levaram Portugal ao título europeu em 2016, João Mário recordou o percurso que levou a seleção ao êxito em França: “Desde o primeiro dia, todos acreditávamos que seria possível, mesmo quando as coisas não estavam fáceis. Mantivemos a união e o dia da final contra a França foi, seguramente, o mais feliz da minha vida. Foi um momento único, para o qual não há palavras. O golo do Éder foi a cereja no topo do bolo, foi quando realmente acreditámos que faríamos história. Incrível”.

 

O jogador emprestado pelo Inter ao Lokomotiv, que assume “só ter revisto a final e a meia-final do Euro’2016 recentemente”, descreveu a sensação de vencer o primeiro título da história da seleção portuguesa: “Foi absolutamente fantástico. Dia 10 à noite, após o jogo, estávamos todos meios anestesiados, como que perguntando se aquilo era real. Só quando chegámos ao aeroporto e vimos o país na rua, enchendo o aeroporto ou a Segunda Circular, é que nos apercebemos da alegria que demos a Portugal”, reconheceu João Mário, que salientou o bom ambiente existente entre os comandados de Fernando Santos. “É notório que, quando os jogadores chegam ao estágio, estão contentes por estar ali, e isso é incrível”.

Com 15 partidas realizadas pelo Lokomotiv esta temporada, quatro delas na Liga dos Campeões, o internacional português realça a “competitividade” do campeonato russo. “Tem 4 ou 5 equipas de um nível muito elevado. Tenho gostado bastante, até porque mesmo os conjuntos da parte de baixo da tabela são muito aguerridos e combativos.

Tenho-me divertido aqui”, salienta João Mário, que já atuou em Portugal, Itália, Inglaterra e Rússia e se assume cómodo com “novos desafios”: “Gosto de mudanças, de estímulos. Gostaria ainda de experimentar um campeonato diferente, como França ou Espanha, e, ao acabar a minha carreira, ter jogado em Portugal, Itália, Inglaterra, Rússia, Espanha, França…”. Quando questionado sobre em qual dos três grandes de Espanha poderia encaixar melhor, dado o seu desejo de vir a jogar na LaLiga, João Mário brincou com a possibilidade Atlético de Madrid devido ao estilo mais defensivo de Simeone. “Acho que não seria para mim. Se calhar ficava no banco (risos). O Barcelona penso que seria onde encaixava melhor, gosto muito do estilo de jogo”.

João Mário teceu ainda rasgados elogios a Cristiano Ronaldo: “Jogar com o Cristiano é muito estimulante. Ele faz-te tentar ser sempre melhor e tu pensas “se o Cristiano, com 35 anos e tudo o que já venceu, ainda quer ser sempre melhor, porque é que eu não devo tentar melhorar sempre?”. Em relação aos treinadores que mais o marcaram, o centrocampista definiu Marco Silva como “especial”, Jorge Jesus como “diferenciado” e Fernando Santos como “carismático”: “Talvez Fernando Santos, a par de Jorge Jesus, tenham sido os dois treinadores que tenham tirado o melhor de mim: taticamente, com Jorge Jesus o Sporting jogava muito bem, com uma dinâmica excelente, e Fernando Santos sempre trabalhou muito bem a parte mental, acreditou sempre em mim em todos os momentos”.

O internacional português destacou Chiellini como “o jogador mais duro” que enfrentou, “um defesa impressionante”, e elogiou também a qualidade de Jovetic, seu companheiro no Inter, e Arnautovic, com quem jogou no West Ham – “tirando o Cristiano, o jogador que mais me impressionou”- mas explicou que “para chegar ao nível do Cristiano, não basta ser bom tecnicamente, tem de haver uma mentalidade diferenciada. Diria que um jogador é 60 por cento trabalho e 40 por cento talento. Hoje em dia, em grandes campeonatos, tens de igualar, a nível de trabalho, os jogadores menos talentosos, para fazer o talento vir ao de cima”, confidenciou. Revelando ainda que “Neymar é um jogador por quem pagaria bilhete para ver jogar. É fantástico e talvez não fossem algumas questões extra-futebol, poderia estar ao nível de Cristiano Ronaldo e Messi”.

A nível pessoal, João Mário assumiu-se como fã de hip-hop ou reggaeton, “música que me leva a entrar no “mood” do jogo”, e descreveu Londres como “a cidade favorita na Europa”. Quanto ao regresso do futebol, João Mário diz-se consciente de que “o mais importante é a saúde das pessoas” e referiu “não gostar particularmente de jogos à porta fechada, parece sempre que estás num treino. Futebol é adeptos, é aquela paixão que as pessoas metem num jogo”.

O campeão da Europa refletiu sobre a passagem menos feliz pelo Inter de Milão: “Quando passas por um período em que as coisas não correram tão bem, isso marca-te. Aprendes dessa experiência. Milão foi muito importante na minha carreira, para me fazer aprender e crescer. As coisas que aconteceram lá teriam sido diferentes se eu tivesse a mentalidade que tenho hoje, mas eu precisei de passar por isso para crescer. Não posso dizer que teria feito algo de diferente porque isso só sucede por eu ter passado por o que passei em Milão”, explica.

Finalmente, João Mário aproveitou para falar sobre o Atlético de Madrid e João Félix, que enfrentou na Liga dos Campeões: “O Atlético é daquelas equipas que, vendo de fora, é muito bem trabalhada, como se fosse uma equipa italiana a jogar em Espanha. E claro que passar do Benfica, que joga 80 por cento do jogo em ataque organizado, para o Atlético, e ainda para mais com a pressão do preço, não é fácil em termos de adaptação. Estando, por exemplo, num Barcelona, claro que a pressão poderia ser maior mas o estilo de jogo poderia adequar-se mais a ele”, referiu.