“CURTO-CIRCUITO” DEU A HAMILTON OS HOLOFOTES DA VITÓRIA

By April 1, 2019Formula 1

Foi Lewis Hamilton e a Mercedes quem terminou a sorrir no GP do Bahrain, o segundo da temporada, o primeiro debaixo de luz artificial.

Depois de um fim-de-semana em que a Ferrari dominou tudo o que havia por dominar, com Leclerc e Vettel a superiorizarem-se a toda a concorrência, o drama estava guardado para o dia da corrida.

Na sexta-feira e na primeira sessão do dia, Charles Leclerc foi o mais rápido ao longo dos 90 minutos da FP1. 1’30”354 foi a marca do monegasco, com Vettel a ficar a 0’263 do companheiro de equipa. Com o asfalto abrasivo, os dois monolugares da marca italiana foram os únicos a ficar no segundo 30. A restante concorrência oscilou entre o segundo 31 baixo e o 34.

No mesmo dia, e já com condições de pista e de clima diferentes, já que a noite começava a cair em Sakhir, Vettel melhorou a marca da manhã e foi o mais rápido: 1’28”846 para o alemão, 0’035 à frente de Leclerc. A meio segundo estavam os Mercedes de Hamilton e de Bottas. Hulkenberg fixava uma excelente marca para a Renault com um 5.º tempo. Já a Williams continuava a mostrar que corre num campeonato à parte com Russel e Kubica na retaguarda do pelotão.

No sábado, novo domínio dos SF90: Leclerc voltava a ser o mais rápido: 1’29”569, 0’169 à frente de Vettel. Lewis Hamilton voltava a ser o melhor dos Mercedes e Romain Grosjean fechava o top 5 com o Haas.

À tarde destaque para a Q1 onde Nico Hulkenberg ficou arredado de ir mais além: com o 17.º tempo o alemão fez aquilo que Ricciardo tinha feito em Albert Park – ficar logo na primeira ronda eliminatória. Com ele ficaram os dois Williams, ainda Antonio Giovinazzi e Lance Stroll.

Na Q2, Daniel Ricciardo alcançou a 11.ª posição. Seguiram-se, Alexander Albon, Pierre Gasly, Sergio Perez e Daniil Kvyat.

As emoções estavam guardadas para a Q3: Charles Leclerc fez a volta mais rápida e conseguiu conquistar a pole position. Vettel ainda tentou roubar P1 ao companheiro de equipa, mas a pole viria mesmo a ser para o monegasco. Vettel fez a segunda marca e por isso a primeira linha da grelha era da Ferrari. Na segunda linha, com o 3.º e 4.º tempo, Lewis Hamilton e Valtteri Bottas. Max Verstappen saíria de 5.º, enquanto que ao seu lado estava o melhor dos Haas, o de Kev Mag. Carlos Sainz saíria atrás de Verstappen na sétima posição. Romain Grosjean devia ter saído da oitava posição, mas devido a uma penalização de três lugares, o francês saiu do lugar 11. Kimi Raikonnen saiu de oitavo, Lando Norris – com mais uma excelente qualificação – saiu de nono e Danniel Ricciardo de décimo.

Depois da chuva da noite de sexta para sábado que colocou a pista mais verde, destaque para o vento forte que se fazia sentir na tarde de domingo, que poderia provocar mais dificuldades aos pilotos em várias frentes: areia em pista, abordagem às curvas e esfriar do motor.

Depois de se apagarem os semáforos, Vettel aproveitou o facto de sair do lado mais sujo da pista e de ter arrancado melhor, para rapidamente ascender à liderança. Leclerc esse é que teve um arranque menos positivo, caindo imediatamente para segundo e logo depois da curva 4 voltou a perder uma posição, desta feita para Valtteri Bottas. Imediatamente pressionado por Hamilton, conseguiu aguentar a pressão e voltar a subir ao lugar intermédio do pódio à volta número 2. E precisamente após a ultrapassagem de Leclerc a Bottas, Hamilton pressionou o companheiro de equipa e um par de curvas à frente ultrapassou o companheiro de equipa.

Nesta fase Vettel era líder e Leclerc estava a cerca de 1 segundo do companheiro, mas o destaque seria dado à luta pela quinta posição, com Sainz e Verstappen. O holandês não gostou do ataque do espanhol e no “ombro a ombro” Max tocou em Sainz – ou Sainz tocou em Max – e furou o pneu frontal do lado direito do McLaren do espanhol. Era uma corrida por água abaixo para Sainz, já que o incidente entre ambos, depois de ter sido investigado pelos comissários da FIA, não resultou em nenhuma penalização.

À sexta volta, e num grande prémio de ficar sem fôlego na emoção da narração, Leclerc respondeu ao excelente arranque de corrida de Vettel e ultrapassou o companheiro de equipa. Mostrou-se na curva um, muito graças ao DRS, e na curva dois ia já na primeira posição.

À volta 38 a emoção voltou a tomar conta da frente da corrida: Hamilton vinha a pressionar Vettel há algum tempo e utilizando DRS conseguiu ultrapassar o alemão que cometeu um erro: à saída da curva, Vettel abusou do SF90 e fez um pião. Além de ter perdido muito tempo e a posição, abusou em demasia das misturas. Os pneus estavam quadrados quando entre a 10 e 11 Vettel perdeu a asa dianteira do monolugar. Uma volta depois, era a luta pela sexta posição que dava nas vistas, com Hulkenberg a ultrapassar Ricciardo apesar de um ligeiro toque entre companheiros de equipa.

 

“There’s something strange with the engine”

Foi à volta 46 e quando Leclerc liderava confortavelmente o GP do Bahrain que percebemos que a comunicação rádio entre Leclerc e o seu engenheiro trariam problemas à marca do cavalinho. Podia ser estratégia, ou bluff, mas não era: era claro pelo ritmo ofegante e preocupado com que Leclerc perguntava ao engenheiro pelo que se estaria a passar com o motor do SF90. Leclerc perdeu imenso pace devido a um problema no MGU-K e a menos de 10 voltas para o final da corrida foi ultrapassado por Hamilton e pouco depois por Bottas. Os Mercedes mostravam consistência e estavam no sítio certo à hora certa.

A 3 voltas do final, e numa altura em que Leclerc continuava a perder terreno para a concorrência, Max Verstappen estava a pressionar para chegar ao terceiro lugar. No entanto, graças a um Safety Car, devido ao abandono dos dois Renault de Hulkenberg e Ricciardo, o monegasco conseguiu segurar o lugar mais baixo do pódio.

Lewis Hamilton levou para casa a vitória, Valtteri Bottas o lugar intermédio do pódio e Leclerc a terceira posição.

 

Bottas continua na liderança

 

 

Mercedes é líder